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Imigrar para Israel e tornar-se um cidadão obriga os judeus estrangeiros que optaram por esse processo a se alistarem no serviço militar do país. As Forças de Defesa de Israel (FDI), fundadas em 1948, estão entre as mais experientes do mundo, com participações de guerras que marcaram a história. As FDI têm como objetivo defender a soberania dos cidadãos a manter a integridade territorial do Estado de Israel, com a detenção dos inimigos e proteção das ameaças de terroristas. 

Ao completarem 18 anos, todos os cidadãos Israelenses devem fazer o alistamento militar obrigatório. A composição do exército é mista, homens e mulheres de todas as classes servem lado a lado e atuam em diferentes áreas como instrutores de combates, comunicação e inteligência, operadores de tecnologia, médicos, advogados e técnicos.  

A disposição de quem compõem o exército do país não se restringe às questões de gênero, ultrapassando fronteiras e permitindo com a “Lei do Retorno”, aprovada em 1950, que os judeus nascidos em outros países – ou a qualquer pessoa com um pai, avô ou cônjuge que seja judeu – tenham o direito de ser cidadãos israelenses e, consequentemente, de se alistarem no serviço militar obrigatório.

A socióloga Janine Melo, 27 anos, teve a oportunidade de servir o exército de Israel e se tornar Sargenta do batalhão de Caracal, primeira base militar mista do país. 

Nascida e criada na capital pernambucana, sempre teve a vontade de conhecer e entender sobre a cultura de Israel. Aos 15 anos, deixou o Recife para fazer um intercâmbio de estudos. Movida pelos aspectos históricos e sociais, tomou a decisão de tornar-se cidadã israelense e em seguida iniciou atividades no serviço militar.

A decisão de integrar as forças armadas de Israel levou um tempo para Janine; com o processo de socialização dos jovens israelenses e a inserção na cultura do país, o desejo de fazer parte do exército se intensificou.

“O meu processo se estabeleceu por meio da socialização com os adolescentes israelenses que estudavam e estavam direcionados para entrar no exército. Esses jovens eram incentivados de todas as formas a entender sobre como funcionava o exército e tinha um propósito por trás: garantir a segurança do país”, ressalta. 

Em Israel, o propósito de servir o exército vai além da disposição física exigida pelos serviços militares do mundo; a visão das Forças Armadas está atrelada à proteção, mas também serve como um órgão educador.

O Geógrafo Mauro Braga afirma que as características das atuações do exército israelense são justificadas nos cinco mil anos de história do povo judeu. “A consolidação de um exército aberto para imigrantes e com ações fortes é estabelecida com o empenho que Israel desenvolveu com o passar dos anos, principalmente com as influências das vivências que os judeus passaram no decorrer da história.”

Dos episódios mais marcantes do país, a independência do Estado, no ano de 1948, foi um marco muito importante para Israel.  Esse fato histórico intensificou o poder econômico e bélico, o que explica a questão de muitas comunidades israelenses terem um grande acúmulo de patrimônios.

Assim como Janine, Noa Weimar, 26 anos, também serviu o exército de Israel. Deixou Porto Alegre aos 15 anos, para estudar e conhecer sobre a cultura do país com o programa Naale (Naale Elite Academy). Quando completou o ensino médio, optou por tornar-se cidadã israelense e integrar as Forças Armadas.

Para ela, o fato de homens e mulheres poderem integrar o serviço militar e a responsabilidade de proteger o país serviram de incentivo para a trajetória no exército. 

“É importante para a sociedade ter a percepção de que todos, independente do gênero, têm responsabilidades e necessidade de servir, desenvolvendo papéis que são úteis para poder defender o país”, diz.

Ser imigrante no exército é uma prática cada vez mais recorrente em Israel.  Noa conta que o processo foi desafiador. De acordo com ela, sendo imigrante sofreu alguns preconceitos com relação à cultura e questões sociais. “Passei três anos em Israel até entrar no exército, o meu hebraico era relativamente bom, estava adaptada à cultura, mas ainda era imigrante e isso fez com que muitas pessoas me colocassem de lado”.

Na prática, existem alguns postos destinados aos imigrantes que exigem menos da fala e escrita. Na visão de Noa, essa questão precisa ser mudada, pois todos devem ter o direito de atuar, independente da cultura. “Temos que lutar bastante para estarmos em posições que queremos e nem sempre funciona”.

Os imigrantes têm um papel fundamental na composição do exército de Israel principalmente no decorrer dos últimos anos, uma vez que a taxa de adesão para o alistamento obrigatório tem diminuído. Mas quem não integra o exército de Israel?

Existem algumas formas de uma pessoa não se alistar: se o cidadão estiver cursando uma faculdade fora de Israel e esse curso for de alta relevância para o governo, o exército pode postergar a data de entrada, mas essa prática se encaixa nas exceções. Os judeus ortodoxos “haredim” (tementes a Deus) também são isentos do serviço para se dedicarem às atividades da religião.

“Os imigrantes têm uma função muito importante para o exército israelense porque há falta de soldados para os cargos de combate e, com certeza, a integração de imigrantes faz a diferença, estamos aqui para somar”, completa a ex-Sargenta, Janine Melo.

ROTINA NO EXÉRCITO: TREINAMENTO PUXADO E LIÇÕES DE VIDA

Para garantir eficácia nas ações, as Forças de Defesa de Israel (FDI) seguem estratégias defensivas e táticas ofensivas. As proporções territoriais do país não são profundas e, por isso, a preparação das FDI é estudada para tomar iniciativa quando necessário e, se houver ataques, levantar batalha no território inimigo.

Para que as estratégias funcionem, os soldados e soldadas passam por um treinamento intenso, com foco em estratégias e desenvolvimento de sistemas tecnológicos que ajudam na atuação prática do serviço militar.

Na fase de preparação, as FDI lançam um pequeno exército com capacidade alerta precoce, juntamente com uma força aérea e marinha. A composição das Forças é integrada por reservistas, que são chamados regularmente para treinamentos e serviços e, em tempos de guerra ou de crise, são convocados para as unidades. 

A ex-militar Noa revelou ao journal48 que a rotina do exército vai além do estigma da arma, farda e guerra. De acordo com ela, oserviço ensina a trabalhar em grupo, desenvolver resistência, ter concentração e administração de tempo.

“Existem momentos difíceis, mas conseguimos ser fortes, isso pode ser encaixado em qualquer parte da vida. Aprendemos que a nossa atitude tem mais influência, e esse é o segredo, devemos nos manter fortes para levar aprendizados para vida”. Ela ressalta que o desenvolvimento da sociedade israelense em questões sociais, tecnológicas e medicinais é fruto de um serviço militar bem executado. 

Durante o serviço, os soldados podem receber apoio psicológico, quando necessário, e, quando finalizam, recebem um curso para entender como funcionam as leis do país, aplicação de impostos, como buscar oportunidades de estudo e como construir a vida a partir daquele momento.

Janine Melo conta que os aprendizados do exército são heranças que irão permear para o resto da vida, sobretudo as lições de escutar, ajudar e entender o próximo. “São aprendizados para vida, gosto muito de reafirmar porque é algo que não existe em outros, o fato de todos serem obrigados a servir faz com que eu desenvolva empatia independente de quem for”, ressalta.

Outras heranças não são tão positivas assim. Noa relata que seu psicológico foi muito impactado depois que deixou o exército. “Lá, não tinha tempo para pensar e agir de imediato e isso me desestabilizou por alguns momentos, mas o que me mantém forte é saber que estava lá por uma causa maior, a defesa de um país”, finaliza.

Fonte: arquivo pessoal/ Noa Weimar.

SOBRE AS FORÇAS DE DEFESA DE ISRAEL

As três subdivisões de serviços das FDI (forças terrestres, aéreas e marinhas), funcionam sob o comando unificado do Chefe do Estado-Maior Geral, nomeado pelo governo, por recomendação do ministro da defesa e do primeiro-ministro.  O desenvolvimento FDI observa as necessidades culturais dos soldados e proporcionam em paralelo às práticas militares, atividades recreativas e educativas, além do serviço de apoio pessoal. As formações ajudam no desenvolvimento do nível de educação, e oficiais de carreira são incentivados a estudar com auxílio das FDI durante seus serviços.

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nathalya moura tavares
nathalya moura tavares
6 meses atrás

oi eu tenho 29 anos e tenho essa vontade de entrar no exercito de israel , sera que ainda posso ou não, pois não sabia que imigrantes podiam entrar para o exercito descobri isso hoje. será que ainda posso , e como faço

Stephanie Abdalla
Reply to  nathalya moura tavares
5 meses atrás

Oi, Nathalya. Que bom que descobriu sobre a possibilidade através do nosso conteúdo! Para esclarecer questões sobre a cidadania e o consequente alistamento, sugerimos que você acesse a página do consulado brasileiro em Israel ou o próprio portal de imigrações do país. Boa sorte!