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O movimento LGBTQIA+ se converteu, ao longo dos anos, em um dos mais emblemáticos. Atualmente, entre as principais ações da comunidade estão as Marchas do Orgulho, mas a história por trás dessas e outras manifestações vem de longe, com vários percalços.

Várias pesquisas revelam que no mundo antigo, e em diversas culturas, movimentos impulsionados por pessoas que se reconheciam com as modernas terminologias da sigla já eram colocados em prática. 

No entanto, o marco inicial oficializado pela comunidade foi em 1969, com os motins de Stonewall, nos Estados Unidos, que deram espaço a uma série de manifestações espontâneas e violentas em protesto a uma batida policial durante a madrugada de 28 de junho daquele ano. Pela primeira vez na história do país, a comunidade LGBTQIA+ lutou contra o sistema que a perseguia sem a oposição do governo.

(Vale ressaltar, aqui, que apesar de oficial, o caso de Stonewall não representa, necessariamente, a história individual de cada coletivo da comunidade LGBTQIA+, mesmo que, de alguma forma, inclua integrantes de todas as letras do movimento).

1978 foi o ano de nascimento da bandeira do orgulho: Gilbert Baker, autodenominado “Betsy Ross gay”, criou a primeira bandeira a partir de retalhos de tecido que encontrou em latas de lixo no ático do Centro da Comunidade Gay (tradução livre para o português), em São Francisco. Cada uma das cores da bandeira original tem um significado: rosa, que significa sexo; vermelho, vida; alaranjado, cura; amarelo, o Sol; verde, a natureza; turquesa, magia; azul, paz; e roxo, o espírito.

Uma década mais tarde, com o aparecimento da AIDS, o movimento enfrentou um momento de bastante inflexão. De acordo com a socióloga, historiadora, ativista e feminista Garcia Trujiollo, a disseminação da doença desencadeou um “tsunami de homofobia”, sendo chamada, inclusive, de “câncer rosa”.

Em oposição, explica a especialista, surgiram os primeiros grupos radicais dentro do movimento, autodenominados “Queer”, que se uniram ao trabalho político já realizado por gays e lésbicas, principalmente.

“O HIV reativou e gerou redes de solidariedade e cuidado entre esses grupos. Inclusive, muitos se tonaram amigx por se apoiarem naquele contexto tão difícil”, afirma Garcia.

LEGISLAÇÃO POSITIVA OU DE DISTRAÇÃO?

Para Garcia, que nasceu e reside na Espanha, um momento de avanço para a comunidade LGBTQIA+ no país foi quando a modificação do Código Civil foi aprovada, em 2005, e passou a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Atualmente, 29 países reconhecem essa alternativa em todo o território nacional, sendo o Brasil um deles, desde 2013.

Durante a modificação da legislação, a socióloga fazia parte do Grupo de Trabalho Queer que, apesar de reconhecer a positiva evolução da lei, “foi bastante crítico com a mudança por julgar que ela dispersava o olhar de outras políticas mais prioritárias da época, como o reconhecimento da identidade de gênero das pessoas trans, que só tiveram esse direito garantido dois anos depois, no país”.

Ainda sobre a autorização legal do casamento homoafetivo, Garcia pontua que o debate durante a aprovação da lei “colocou em evidência toda a homo-transfobia de alguns setores da sociedade que diziam: que se casem, mas que não o chamem de matrimônio”.

Diante disso, a socióloga explica que a medida que os avanços da comunidade vão acontecendo, mais violência cresce em paralelo. “Quando mais ações e conquistas, mais visibilidade nos espaços sociais nós ganhamos e isso gera incômodo entre os neoconservadores. Não é o cenário perfeito, mas diz muito sobre o que temos batalhado e conseguido”, diz ela. 

LGBTQIA+: MAIS QUE LETRAS

A história dos movimentos também passa por sua sigla e a inclusão das diferentes letras nela. O sociólogo catalão Gerard Coll-Planas explica que a terminologia LGBTQIA+ inclui muitos coletivos que não são escutados pela própria comunidade, pois “muitas vezes, tudo é simplificado a pessoa gays e lésbicas”.

Ele também pontua que é preciso entender a comunidade desde uma perspectiva interseccional: “as pessoas não são apenas trans ou lésbicas, por exemplo, mas, sim, cruzadas por outros eixos de desigualdade como classe social, origem e religião”, diz o sociólogo.

Apesar disso, segundo ele, um dos motivos que leva a comunidade a ir se unindo mais setores é a tentativa de reunir cada vez mais pessoas para que haja mais influência e incidência política e social. “Desta forma, o lobby é muito maior”, finaliza o especialista. 

SIGNIFICADOS

L: LÉSBICAS

Pessoas que se identificam como mulheres e se sentem atraídas por outras pessoas que também se identificam como mulheres.

Ilustração: LK (@ei_ldraw) para o journal48

G: GAYS 

Pessoas que se identificam como homens e se sentem atraídas por outras pessoas que também se identificam como homens.

Ilustração: LK (@ei_ldraw) para o journal48

B:  BISSEXUAIS

Pessoas que se sentem atraídas tanto por pessoas que se identificam como mulheres quanto como homens. 

Ilustração: LK (@ei_ldraw) para o journal48

T: TRANS

Essa é uma terminologia “guarda-chuva”, pois é utilizada para descrever pessoas cuja identidade de gênero não se corresponde com o sexo biológico. Muitas vezes se diferencia entre travestis, transgêneros e transexuais.

Ilustração: LK (@ei_ldraw) para o journal48

Q: QUEER

O termo foi originalmente utilizado em tom depreciativo para falar de todas as pessoas que não se ajustavam aos parâmetros cis-heterossexuais. No entanto, desde a década de 90, foi retomado e redefinido a partir da área da teoria crítica, tendo como uma de suas principais precursoras a filósofa Judith Butler.

Hoje, ressignificado, o termo queer está relacionado ao empoderamento de pessoas que se narram fora das normas e que propõem o questionamento às epistemes do que é considerado essencialmente masculino ou feminino.  

Ilustração: LK (@ei_ldraw) para o journal48

I: INTERSEXUAIS

Pessoas cujo sexo biológico não se ajusta à definição binária homem/mulher.

Ilustração: LK (@ei_ldraw) para o journal48

A: ASSEXUAIS

Pessoas que não sentem atração sexual por outras pessoas, que sentem muito pouco, ou que sentem em apenas determinadas situações. Esse grupo pode incluir algumas variações, como as pessoas demissexuais – que sentem atração sexual apenas quando estão em relações afetivas – e sapiossexuais, que se sentem atraídas especialmente pela inteligência dos outros.

Ilustração: LK (@ei_ldraw) para o journal48

+

Utilizado para incluir outras variações de sexualidade ou gênero, como as pessoas pansexuais, por exemplo, que sentem atração por outras pessoas, independente do gênero.

Ilustração: LK (@ei_ldraw) para o journal48

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Maria Luiza
Maria Luiza
1 ano atrás

O site ta perfeito ilustrações maravilhosas e também esta muito bem resumido e informado amei…. Com o site consegui explicar para meu irmão mais novo como me indentifico e auxiliar ele com oq ele ainda sente (amei d+)

Stephanie Abdalla
Reply to  Maria Luiza
1 ano atrás

Que bom que gostou, Maria Luiza! Logo a editoria LGBTQIA+ terá novos conteúdos!

Ana ju
Ana ju
1 ano atrás

Amei as iluatraçoes