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Atenção! Em poucos segundos de leitura você pode se assustar, ficar com raiva ou até mesmo ansioso, mas aguente firme – as informações que estão por vir são necessárias, caso você deseje que o planeta tenha condições favoráveis para a existência humana e do meio ambiente (como nós o conhecemos hoje em dia). 

De um ano pra cá, a Terra tem enviado avisos constantes sobre o que ela pode se tornar. 

A pandemia de covid-19 estourou, o que obrigou uma mudança completa no modo de vivência do homem. Ao que tudo indica, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus passou de um animal para o ser humano. 

O Brasil, conhecido por ser um país com grande potencial energético, passa pela pior crise hídrica em 91 anos. A ameaça de apagões não é descartada por especialistas. 

As mudanças climáticas estão tão graves que impactaram os países mais ricos. A Alemanha sofreu com inundações que devastaram pequenas cidades e o Canadá registrou morte de habitantes por conta das altíssimas temperaturas, que ultrapassaram os 50ºC. 

O Centro Nacional de Informações Ambientais da agência National Oceanic and Atmospheric Administration (Administração Nacional dos Oceanos e da Atmosfera, em tradução livre) afirmou que julho de 2021 foi o mês mais quente registrado desde o início dos levantamentos, que começaram em 1879. 

Além de tudo isso, o Governo Federal brasileiro tem uma fraca política sobre meio ambiente, que dá consentimento para a devastação. Uma prova disso é o desmatamento na Amazônia, que aumentou em 51% entre 2019 e 2020, segundo informações divulgadas pelo Imazon em julho deste ano. 

Se todas essas informações fossem contadas para uma pessoa no início do século XXI, com certeza ela acreditaria que os humanos de hoje estariam vivendo uma espécie de vida apocalíptica – o que não é longe da realidade. 

Mas calma! Nós, do journal48, não queremos te dar palpitações cardíacas e nem mesmo te deixar ansioso. Por isso, vamos analisar a situação do meio ambiente com parcimônia e, se tudo der certo, vamos ter te transformado em um ecochato até o final desta reportagem!

QUANDO O ASSUNTO É MEIO AMBIENTE, TUDO ESTÁ CONECTADO

O mundo está caminhando para atingir um aumento de temperatura superior a 1,5ºC. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), isso pode acontecer mais rápido do que era esperado, em um período de duas décadas.

Com isso, mais inundações, degelos de grandes áreas do Ártico e mudanças climáticas estão por vir. 

Mas não é preciso olhar para o futuro para entender as catástrofes ambientais que podem acontecer. O planeta pede socorro agora. 

Atualmente, o Brasil vive uma crise hídrica e energética. Os reservatórios das usinas hidrelétricas apresentam níveis muito abaixo do recomendado e o Governo Federal precisou acionar as usinas termelétricas, que são mais caras e mais poluentes. Ainda sim, nem elas conseguem dar conta. 

Uma das causas para a falta de água e o clima seco no país, é explicada por um dos maiores cientistas do mundo em citações sobre o aquecimento global. Philip Martin Fearnside é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e membro da Academia Brasileira de Ciências. 

Ele afirma que o desmatamento é a principal chave de tudo. 

“Na Bacia do Paraná, 70% da água vem da Amazônia e não diretamente do Oceano Atlântico. Principalmente, na época chuvosa de lá, em dezembro e janeiro, os ventos, chamados rios voadores, levam água da Amazônia, batem na Cordilheira dos Andes e fazem uma curva em direção à São Paulo. Isso é essencial, mas, infelizmente, o que está acontecendo é mais desmatamento. Não só o desmatamento paulatino, de cada ano, mas também causado por obras”. 

Fearnside explica que a construção da BR-319 é um exemplo de intervenção humana que tem causado desmatamento há décadas na região da Amazônia. 

A solução para isso é quase óbvia, mas pouco praticada: parar de desmatar. De acordo com o pesquisador, essa é a forma mais barata e rápida para evitar que o aquecimento global e outras consequências ambientais, como a crise hídrica, se agravem. 

“O desmatamento é uma das opções que tem mais benefícios e menos custos. É mais barato evitar desmatar um hectare de uma floresta do que evitar a mesma quantidade de emissão com a construção de carros mais eficientes, embora seja necessário fazer os dois.”

BALANÇA COMERCIAL DESFAVORÁVEL

Se já não bastasse o Brasil ter altos índices de desmatamento, ano após ano, o país também importa problemas ambientais. 

A forma com a qual é feita a exportação de produtos, na maioria das vezes, em níveis primários, sem muito valor agregado, traz destruição. 

Veja os commodities mais vendidos para outros países em 2020, segundo os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI): soja, óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, minério de ferro e seus concentrados, óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, carne bovina e celulose. 

O que eles têm em comum? Uma produção sustentável, praticamente, inexistente. 

“O Brasil exporta 7% de toda a eletricidade do país na forma de alumínio e outros produtos. Isso é uma loucura! Temos que exportar coisas com o valor alto e, da forma que está sendo feito, nós importamos os impactos do resto do mundo.”, exalta Fearnside. 

O gerente de campanhas do Fórum Animal, Taylison Santos, reforça a questão da exportação alimentar do país. 

“Uma das coisas que nós, brasileiros, não percebemos é que nós estamos exportando a nossa água. Os países que compram da gente, seja para alimentar humanos ou animais, estão comprando o nosso maior bem, que é a água. (…) A lógica da exportação brasileira é cruel, não só com os brasileiros, mas também com o nosso próprio país. Nós não deixamos de ser colonizados por países que têm mais poder”, afirma Santos. 

É por esse e outros motivos, que Fernando Silveira Franco, membro da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) defende que as monoculturas produzidas no Brasil, como é o caso do cultivo da soja, não alimentam a população brasileira. 

“Sempre nos perguntam sobre como a agrofloresta pode alimentar toda a população, mas nós rebatemos essa pergunta com outra: Para onde vão todos os alimentos que são produzidos com monocultura no país? A resposta é para a pecuária”, diz Franco. 

A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) traz dados que explicam a afirmação do membro da ABA. Ela calcula que 6,5 bilhões de pessoas precisam de 6 trilhões de calorias anualmente para sobreviver. Para alimentar a população mundial, 1,86 bilhões de toneladas de grãos são produzidas por ano, o que representa 7,5 trilhões de calorias. Isso significa que em todo o mundo, o cultivo de alimentos é maior do que o necessário, mas ainda sim, existe gente passando fome, já que grande parte dos alimentos é destinado para a pecuária. 

Dessa forma, o desmatamento, exportação de matéria prima e devastação para o cultivo de animais não causam apenas problemas ambientais, mas também sociais.

COMER BEM PARA AJUDAR O PLANETA

Ajudar o meio ambiente é uma das principais causas para quem escolhe dietas vegetarianas ou veganas. Essa alteração na alimentação foi até mesmo considerada pelo IPCC como uma forma válida para evitar o aquecimento global. 

“Nós temos o reconhecimento oficial do IPCC que uma mudança no sentido de dietas que são mais baseadas em vegetais do que em produtos de origem animal são um passo crucial pra gente atingir o objetivo de ficar abaixo do aumento de 1,5ºC na temeratura do planeta”, afirma Carolina Galvani, CEO da ONG Sinergia Animal. 

E foi exatamente isso que a Nayra Chela optou por fazer. A micro influenciadora digital segue o veganismo e compartilha no Instagram, em sua conta @curitivegan, dicas sobre consumo responsável e com menos impacto. 

Ela enfatiza, que quando mudou os hábitos alimentares e retirou todos os derivados de origem animal da alimentação, a percepção sobre o meio ambiente mudou!

“É como se eu tivesse tirado uma venda dos meus olhos quando eu me tornei vegana. As informações foram chegando até mim e eu pesquisei mais, por saber o que o consumo da carne e o agronegócio causam. Por isso, eu tento me tornar cada vez mais consciente”.

Carolina, defende que mudanças como a Nayra Fez, podem ser mais fáceis do que parece e até mesmo divertidas. Sem contar no impacto positivo que elas geram.

A responsabilidade nunca deve ficar somente nos indivíduos, mas como indivíduos nós também podemos fazer a diferença com os nossos hábitos. Nós acreditamos muito que o maior impacto que pode ser feito em termos de comportamento individual é a mudança de dieta. Todos nós somos responsáveis, não podemos retirar a responsabilidade de ninguém. A gente precisa de políticas públicas, a gente precisa dos nossos países se comprometendo com os pactos globais para desacelerar a crise climática, mas como indivíduos a gente também pode fazer a nossa parte.”, comenta a CEO da Sinergia Animal. 

A entidade Mercy for Animals afirma que uma pessoa vegana economiza 2250 litros de água por dia, apenas por não se alimentar de produtos de origem animal. Por outro lado, em 2006, 70% da água de todo o mundo foi utilizada no setor agrícola. 

COMO SER MAIS SUSTENTÁVEL NO DIA A DIA PARA AJUDAR O MEIO AMBIENTE?

A Nayra revelou algumas mudanças que ela fez na vida dela e que podem ser adotadas por outras pessoas que, assim como ela, acham que a “ecochatísse” é importante!

Elas são:

  • Separar o lixo reciclável do orgânico;
  • Reduzir a geração de resíduos;
  • Fazer a compostagem de resíduos orgânicos;
  • Comprar em feiras e de produtores locais;
  • Adquirir produtos em embalagens recicláveis e evitar o consumo de plástico;
  • Usar cosméticos e produtos de higiene naturais;
  • Usar ecobags e sacos de tecido para fazer compras;
  • Fazer compras a granel e levar recipientes de vidro para armazenar os alimentos;
  • Usar sabão de coco e bucha vegetal para lavar a louça. 

“Eu acredito que a mudança para hábitos mais sustentáveis pode ajudar o mundo, mas isso precisa ser coletivo. Muitas pessoas ainda precisam mudar! A gente precisa fazer uma força e ter consciência que isso aconteça”, finaliza Nayra. 

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